Elogiar ou Reconhecer para a autoestima?

Olá Inspiração!

No artigo anterior falamos-te da importância da autoestima na vida das crianças. E, possivelmente, estarás a pensar que ao elogiar os teus filhos, estarás a contribuir para a sua autoestima. Pois bem, hoje queremos falar-te de uma perspetiva diferente.

O elogio, geralmente, reforça a importância do TER em vez do SER. E, tal como pudeste ler no artigo da semana passada, é urgente desvalorizar o ter e valorizar a essência de cada um, o Ser.

Ao elogiar, não estamos a demonstrar o nosso amor incondicional pela criança. Ao elogiar, estamos a avaliar os seus comportamentos, a sua forma de vestir, a sua forma de se comportar. Achas que não? Então, vejamos os seguintes exemplos:

– “Muito bem filho! Portaste-te bem em casa da avó!”

-“Que vestido tão bonito e fica-te mesmo bem”

– “Adoro o teu desenho, está mesmo bonito”

Hoje queremos propor-te uma alternativa ao elogio para reconhecer o comportamento, as atitudes e os feitos dos teus filhos. Se o objetivo é mostrar-lhes que eles são importantes para ti, que os amas, que estás atent@, interessad@ e que os vês, então, escolhe verbalizar exatamente isso. Reconhece o que vês dos seus comportamentos, das suas atitudes, das suas conquistas, valorizando essencialmente aquilo que é visível para ti.

Resgatando os exemplos anteriores vamos exemplificar-te de que forma podes encontrar alternativas ao elogio para reconhecer o que vês dos teus filhos. Em vez de “Muito bem filho! Portaste-te bem em casa da avó!”, opta por dizer exatamente o que isso significa para ti. Ele brincou? Ele foi simpático? Podes dizer por exemplo: “vi que hoje conseguiste brincar muito com os teus primos. Fico muito feliz por ver que te divertes a brincar com eles”. Em vez de “Que vestido tão bonito e fica-te mesmo bem”, opta por reconhecer a sua atitude dizendo “Fico feliz por ver que escolheste a tua roupa e que te vestiste sozinha. Como te sentes?”. Em vez de “Adoro o teu desenho, está mesmo bonito”, escolhe verbalizar o que vês exatamente no desenho e demonstrar interesse pelos seus gostos pessoais, por exemplo “Fizeste uma casa cor-de-rosa e um jardim com muitas flores cor-de-rosa. A tua cor preferida é o cor-de-rosa?” ou “Desenhaste muitos carros, todos com cores diferentes. Adoras carros, não é filho?”

A verdade é que o elogio é praticamente automático e, para assimilar esta alternativa na comunicação, é necessário algum treino e tomada de consciência pelo momento presente. E, se nos perguntas: Então, devo deixar de elogiar os meus filhos? A nossa resposta é nem sempre nem nunca. Todas as crianças gostam de ser elogiadas. Aliás, todas as pessoas (crianças, jovens ou adultos) gostam de ser elogiados. A questão é que o elogio não deve ser dado em demasia porque, se assim for, a criança vai passar a sentir-se mais dependente de uma validação externa e vai sentir-se menos predisposta a ouvir o seu interior. Claro que, com o tempo, ao reforçar apenas os elogios, pode acontecer que tenhamos contribuído para educar crianças inseguras, dependentes de validação externa e com baixa autoestima porque, neste caso, a autoestima é transmitida do exterior, criando uma falsa sensação de confiança e amor próprio. Quando essa validação externa não é dada, a criança sente-se insegura e com baixa autoestima.

Por isso, a nossa sugestão de hoje, é que possas começar a ganhar uma nova tomada de consciência sobre a forma como reconheces o valor dos teus filhos. Experimenta verbalizar exatamente aquilo que vês dos seus comportamentos e por exprimir o que isso te fez sentir.

Se quiseres, partilha connosco nos comentários (ou através de mensagem privada) como tem sido a tua experiência neste campo.

Um Sorriso,

Inspira Parentalidade!

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